Mais de 200 educadores são mobilizados em Mauá para fortalecer a proteção de crianças e adolescentes

Projeto Eu Tenho Voz inicia atuação no município com formação de profissionais da educação, espetáculo teatral e debate sobre prevenção aos abusos; escola atende mais de mil crianças e receberá as ações do projeto ao longo do segundo semestre

O município de Mauá (SP) deu início a uma importante mobilização em favor da proteção da infância. A Escola Municipal Carolina Moreira recebeu a primeira etapa do Projeto Eu Tenho Voz, iniciativa que atua na prevenção e no enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes por meio da capacitação de profissionais da educação e da conscientização da comunidade escolar.

Antes de iniciar as atividades diretamente com os estudantes, o projeto investe na formação daqueles que convivem diariamente com as crianças. A estratégia parte do entendimento de que professores, gestores, coordenadores, orientadores e demais profissionais da escola ocupam uma posição privilegiada para identificar mudanças de comportamento, reconhecer sinais de violência e acionar, de forma adequada, a rede de proteção.

Foi com esse propósito que mais de 200 profissionais da Escola Municipal Carolina Moreira participaram da atividade realizada na quinta-feira (22). O encontro marcou oficialmente o início da atuação do projeto no município e consolidou uma etapa iniciada meses antes, quando os educadores ingressaram no Curso de Capacitação Básica, disponibilizado por meio da plataforma do IPAM.

Ao longo da formação, os participantes tiveram acesso a conteúdos voltados à identificação de situações de abuso e maus-tratos, às responsabilidades legais dos profissionais da educação, aos protocolos de encaminhamento e ao fortalecimento da atuação integrada entre escola, família e rede de proteção.

A programação foi aberta com a apresentação da peça teatral Marcas da Infância, que utiliza a linguagem artística para provocar reflexão sobre as marcas invisíveis deixadas pela violência e sobre a responsabilidade coletiva na proteção das crianças. O espetáculo serviu como ponto de partida para um amplo diálogo entre os participantes, estimulando reflexões sobre situações vivenciadas no cotidiano escolar.

Na sequência, a desembargadora Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira, idealizadora do Projeto Eu Tenho Voz, apresentou os fundamentos da iniciativa, sua metodologia de atuação e os motivos que tornam urgente a ampliação de ações preventivas em escolas brasileiras.

Durante sua exposição, a magistrada destacou que a violência contra crianças e adolescentes atravessa diferentes classes sociais e ambientes familiares, exigindo preparo técnico daqueles que estão mais próximos da realidade vivida pelos estudantes. Também explicou como o projeto busca fortalecer a atuação da escola como um espaço seguro de acolhimento, escuta qualificada e encaminhamento responsável dos casos identificados.

Após a apresentação, foi realizado um debate aberto entre os participantes. Professores, coordenadores pedagógicos, equipe gestora e demais profissionais compartilharam experiências, apresentaram dúvidas e discutiram desafios enfrentados diariamente dentro da realidade escolar.

Os relatos evidenciaram uma preocupação comum: muitos educadores convivem com crianças que apresentam sinais de negligência, violência física, abuso sexual ou sofrimento emocional, mas frequentemente sentem falta de instrumentos técnicos para reconhecer essas situações e agir de forma segura. Nesse contexto, a capacitação promovida pelo Projeto Eu Tenho Voz foi recebida como uma ferramenta prática para fortalecer a atuação dos profissionais e ampliar a capacidade de resposta da escola diante dessas situações.

A receptividade da comunidade escolar foi considerada um dos pontos altos do encontro. A participação expressiva dos profissionais e o elevado nível de interação demonstraram o comprometimento da equipe com a construção de um ambiente cada vez mais protetivo para os estudantes.

A Escola Municipal Carolina Moreira atende mais de mil crianças e desempenha papel estratégico na comunidade em que está inserida. Ao longo do segundo semestre, os estudantes passarão a participar das atividades desenvolvidas pelo projeto, ampliando o alcance da iniciativa para além da formação dos educadores.

A equipe do Projeto Eu Tenho Voz foi recebida pela vice-diretora Daniela Allegra e pelos profissionais da unidade, que acolheram a iniciativa e demonstraram disposição para incorporar as ferramentas apresentadas ao cotidiano escolar.

Para a desembargadora Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira, investir na formação dos educadores representa um dos caminhos mais eficazes para interromper ciclos de violência e garantir que crianças em situação de vulnerabilidade encontrem, dentro da escola, adultos preparados para protegê-las.

“O enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes começa muito antes da denúncia. Ele começa quando um professor sabe reconhecer um sinal de sofrimento, quando um gestor compreende seu papel na rede de proteção e quando toda a comunidade escolar entende que proteger uma criança é uma responsabilidade coletiva. O Projeto Eu Tenho Voz nasceu para fortalecer essa consciência e oferecer conhecimento, sensibilidade e ferramentas para que cada profissional possa fazer a diferença na vida de uma criança. Capacitar quem educa é ampliar a capacidade da sociedade de proteger a infância”, disse a Desembargadora Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira.

A chegada do Projeto Eu Tenho Voz a Mauá representa o início de um trabalho contínuo que une formação, sensibilização e atuação preventiva. A iniciativa busca fortalecer uma cultura de proteção capaz de transformar a escola em um ambiente onde crianças sejam ouvidas, acolhidas e tenham seus direitos efetivamente preservados.

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