Projeto Eu Tenho Voz já contribuiu para retirar mais de 1.290 crianças de situações de violência

Em participação na Live Love Espiral, desembargadora Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira destacou a importância da escuta qualificada, da educação e do teatro como instrumentos de proteção à infância

A primeira vice-presidente do Instituto Paulista de Magistrados (IPAM) e idealizadora do projeto Eu Tenho Voz, desembargadora Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira, participou da Live Love Espiral, iniciativa promovida pelo Núcleo Espiral, instituição presidida pela psicóloga Neusa Sauaia, para debater estratégias de prevenção e enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes.

Durante a live, a magistrada chamou a atenção para a subnotificação dos casos de abuso sexual infantil e para a necessidade de ampliar os mecanismos de prevenção e acolhimento.

“É uma minoria dos casos que chegam ao Judiciário. Nós temos contato somente com cerca de 10% dos casos de abuso sexual”, afirmou.

Segundo a desembargadora, a experiência dos magistrados com os processos que envolvem casos de abuso sexual revelou a necessidade de aproximar o sistema de Justiça da realidade vivida por crianças e adolescentes.

“Sentimos a necessidade de sair dos gabinetes e irmos às escolas para ajudar a nos comunicar com as crianças e adolescentes”, destacou.

Foi nesse contexto que surgiu o projeto Eu Tenho Voz. Uma das estratégias adotadas pela iniciativa foi a utilização da peça teatral Marcas da Infância como ferramenta de conscientização e diálogo sobre situações de violência.

A magistrada relembrou um episódio ocorrido após a primeira apresentação do Projeto, em Paraisópolis, na capital paulista.

“Após a apresentação teatral e a palestra, para nossa surpresa, três crianças nos procuraram para dizer que estavam sofrendo violência sexual.”

A experiência reforçou a importância de criar espaços seguros para que crianças e adolescentes possam identificar situações de violência e buscar ajuda.

Ao longo de uma década, o projeto consolidou uma rede de atuação em parceria com Secretarias da Educação, a Varas da Infância e Juventude e diversos profissionais envolvidos na proteção da infância.

“Nestes dez anos, já contribuímos para retirar mais de 1.290 crianças de situações de violência por meio do projeto Eu Tenho Voz”, ressaltou.

Durante a entrevista, a desembargadora também destacou o papel da educação na prevenção e no enfrentamento da violência.

“O nosso trabalho é uma parceria. Queremos mostrar a importância da educação para a proteção das crianças.”

A desembargadora Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira alertou ainda para os riscos presentes nos ambientes mais próximos das vítimas.

“A casa e a internet são os lugares mais perigosos para as crianças.”

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